PS5 desbloqueado: Fabio Akita explica no Flow por que a IA acelerou o jailbreak
O PS5 desbloqueado virou assunto até em podcast de tecnologia. Em um corte do Flow Podcast publicado em 15 de outubro de 2026, o programador Fabio Akita comentou a onda de jailbreaks do console da Sony e explicou, sem rodeios, por que o PlayStation 5 está sendo aberto tão rápido. A resposta dele foge do discurso fácil de que “a IA fez tudo”: segundo Akita, a inteligência artificial acelera o trabalho, mas a base técnica já existia há décadas.
O que está acontecendo com o PS5
O contexto ajuda a entender a conversa. No fim de setembro de 2026, dois jailbreaks foram publicados quase ao mesmo tempo: o PS5SX2, divulgado no Reddit, e o Relapse, no GitHub, segundo o Tecnoblog. O Relapse explora uma falha do navegador do console e funciona até o firmware 13.60; a Sony já corrigiu a brecha em atualizações posteriores e, de acordo com o mesmo site, o firmware 14.10 também impede o downgrade para versões vulneráveis.
Desde então, o ritmo de novidades assustou. O Push Square relatou emuladores de vários consoles antigos rodando dentro do PS5, ainda com desempenho irregular, e projetos que permitem acessar o Xbox Cloud Gaming no aparelho. No caminho inverso, emuladores de PS5 para PC avançam: em julho, o SharpEmu chegou a inicializar Astro Bot, ainda sem passar das telas iniciais, conforme reportado pelo TheGamer.
“O PS5 é só um PC”: a explicação de Akita
O ponto central da fala de Akita é arquitetural. Até a geração PS3 e Xbox 360, cada console usava processadores próprios, muitas vezes da IBM, totalmente diferentes de um computador comum. Portar um jogo ou criar um emulador exigia um esforço enorme. A partir do PS4, a Sony passou a usar CPU e GPU da AMD, a mesma família de um PC. Por isso, ele resume que PS4, PS5 e Xbox One são, na prática, PCs fechados.
O que impede esses aparelhos de rodar qualquer software é a camada de segurança. O sistema do PS5, baseado em Unix (derivado do BSD), só aceita aplicações assinadas criptograficamente pela Sony. Quando essa verificação é quebrada, o console passa a se comportar como um computador aberto, e aí entram emuladores, apps não autorizados e até o Windows.
Sobre os vídeos de PS5 rodando Windows, Akita diz que isso nem é tão difícil quanto parece. O hardware do console já tem suporte a hipervisor, então basta rodar uma máquina virtual, algo equivalente ao VirtualBox, e resolver as poucas chamadas de sistema que faltavam. O mesmo vale para o emulador de PS3 no PS5: o software de emulação existe há anos e roda em PC, Android e outras plataformas; o trabalho recente foi adaptar os últimos detalhes ao console.
IA acelera os “últimos 10%”, não resolve tudo
Akita reconhece que a inteligência artificial tem papel na velocidade dos avanços, mas coloca limites claros. Para ele, cerca de 90% do trabalho de engenharia reversa já estava resolvido por ferramentas e técnicas acumuladas ao longo de 30 a 40 anos de emulação. Tradução de shaders entre GPUs, conversão de instruções entre arquiteturas Intel e ARM e remapeamento de bibliotecas, como trocar chamadas exclusivas do console por DirectX ou Vulkan, já eram processos conhecidos.
A IA entra na parte braçal: testar hipóteses, descobrir qual função corresponde a qual chamada, repetir tentativa e erro sem cansar. Ele lembra que o próprio Linux cresceu assim nos anos 90, com drivers de impressoras e outros hardwares criados por engenharia reversa, porque os fabricantes não davam suporte ao sistema.
Um detalhe interessante da conversa é o papel do PS5 físico como “oráculo”. Com o console em mãos, agentes de IA podem propor uma hipótese, executá-la no aparelho e verificar o resultado: deu erro, rodou ou não rodou. Segundo Akita, é essa verificação concreta que impede a IA de andar em círculos. Tentar criar um emulador sem ter o hardware para comparar seria trabalhar no escuro.
Por que a comunidade está tão motivada
Na avaliação de Akita, o fator que mais acelerou a corrida não foi a IA, e sim a insatisfação com a Sony. Ele afirma que a empresa conseguiu irritar muita gente ao mesmo tempo, e isso atraiu desenvolvedores querendo ser os primeiros a mostrar o que o console consegue fazer. Exemplo citado: rodar jogos de PS3 no PS5, algo que muitos jogadores queriam oficialmente e nunca receberam.
Ele não detalha quais decisões geraram essa reação, mas a imprensa especializada aponta um clima tenso. O Push Square lembra que alguns associam a onda de jailbreaks ao anúncio, em julho de 2026, de que a Sony deixará de lançar jogos em disco em 2028, embora o próprio autor duvide que isso faça diferença, já que hackers raramente precisam de incentivo.
Akita também comenta que já viu um jogo simples como Astro rodando em torno de 60% da velocidade em emulação, o que considera um avanço enorme. Não encontramos confirmação independente desse número específico, então vale tratá-lo como observação dele no podcast. Para o programador, tudo isso aconteceria de qualquer forma; a diferença é que algo previsto para o ano que vem chegou antes.
Vale a pena desbloquear o PS5?
A conversa no Flow é sobre tecnologia, mas quem pensa em entrar nessa precisa conhecer os riscos:
- Banimento: segundo o Tecnoblog, contas identificadas com jailbreak podem ser banidas da PSN.
- Firmware: os exploits atuais dependem de versões antigas do sistema. Atualizar o console fecha a brecha, e as versões mais novas bloqueiam o downgrade.
- Jogos novos: lançamentos recentes exigem firmware atualizado, então podem não rodar em um console desbloqueado, como observou o Push Square.
- Pirataria: distribuir ou baixar cópias de jogos sem licença é ilegal. O próprio Akita diz no vídeo que não baixa ISOs piratas e usa cópias dos jogos que possui.
- Garantia: modificações no sistema podem comprometer a garantia e o suporte oficial.
O que esperar daqui para frente
A tendência é de uma disputa de gato e rato: a Sony deve seguir lançando atualizações para fechar brechas, enquanto consoles com firmware antigo continuam vulneráveis. A emulação de PS5 no PC também deve avançar, ainda que jogos completos e jogáveis estejam longe de ser realidade. A mensagem de Akita é que, por trás das manchetes sobre IA, o que existe é a continuação de décadas de trabalho da comunidade de emulação, agora com uma ferramenta que encurta a parte mais repetitiva do processo. O Portal do Gamer acompanha o tema e atualiza a cobertura conforme surgirem novidades.
