Konami e IA: presidente diz que pessoas importam mais que a IA

Konami e IA entraram na mesma frase: o presidente da empresa, Hideki Hayakawa, deu uma resposta clara a uma das perguntas mais quentes da indústria, a inteligência artificial vai mudar o desenvolvimento de jogos? Para ele, não de forma significativa. No relatório integrado da empresa, divulgado junto dos resultados financeiros em 16 de outubro de 2026, o executivo afirma que pessoas e criadores seguem como o fator mais importante para fazer jogos divertidos e inovadores.

O que Hayakawa disse

A declaração aparece no relatório integrado da Konami e foi destacada pela imprensa japonesa, com o Dengeki Online como referência citada por veículos internacionais. Nintendo Wire, Kotaku e FRVR reportaram o mesmo conteúdo em 16 de outubro. A tradução para o inglês é de cada veículo, então o original em japonês pode ter nuances diferentes. Em resumo, segundo essas reportagens:

  • Hayakawa não acredita que o mercado vá mudar de forma significativa por causa da IA.
  • Ele argumenta que a barreira de entrada para criar jogos já havia caído com motores genéricos, como Unity e Godot, e com conteúdo criado por usuários, e não por causa da IA.
  • A troca de ideias dentro de uma equipe de desenvolvimento, a chamada química criativa, não é algo que se substitua com facilidade.
  • A Konami não pretende usar IA para substituir desenvolvedores, de acordo com o FRVR, e, se usar, quem cria continua no comando, sem pressão para que os times adotem a ferramenta.

A mensagem não é de rejeição total. Segundo o Kotaku, o mesmo documento descreve a IA como uma oportunidade relevante que pode apoiar desenvolvedores em algumas tarefas. A empresa também diz oferecer apoio sistemático para que os criadores entendam novas tecnologias e avaliem os riscos antes de aplicá-las, e emite aos poucos orientações sobre limites e protocolos de uso.

Contexto: por que a fala importa

A Konami vive uma fase de retomada no mercado de jogos, com novos títulos de Silent Hill feitos por estúdios diferentes e a refeita de Metal Gear Solid Delta: Snake Eater, que, segundo o FRVR, também serve para formar novos desenvolvedores. Nesse cenário, enfatizar o talento humano é coerente com a estratégia da empresa e com a imagem de marcas muito ligadas à direção autoral.

O Kotaku sugere que a ênfase em colaboração pode ter relação com o desenvolvimento de Wai Wai World Craft, plataforma de conteúdo criado por jogadores comparada ao Roblox. Isso é uma leitura do veículo, não uma declaração da Konami. O site também compara a postura da empresa à da Sega, cuja postura pública sobre IA generativa o veículo considera parecida.

Uma observação sobre fonte: a pauta original apontava o PCGamesN como referência. Não conseguimos abrir a matéria desse veículo durante a apuração, então apoiamos o texto nas reportagens acima, que citam o relatório da Konami e o Dengeki Online.

O debate sobre IA na indústria em números

A fala de Hayakawa chega em um momento de desconfiança dos próprios profissionais. Alguns dados verificáveis:

IndicadorDadoFonte
Profissionais que veem impacto negativo da IA generativa na indústria52% em 2026, ante 30% no ano anterior e 18% no outroGDC, State of the Game Industry 2026
Profissionais que usam ferramentas de IA generativa no trabalho36%GDC, State of the Game Industry 2026
Participantes da pesquisaMais de 2.300 profissionaisGDC
Títulos do Steam Next Fest com aviso de IA generativa19,5% (1.704 de cerca de 8.700)Engadget, citando análise do Eurogamer sobre dados do SteamDB, 16/06/2026

Os números contam duas histórias ao mesmo tempo. A rejeição cresce entre quem trabalha com jogos, mas o uso existe e já aparece no catálogo do Steam, onde a plataforma exige a declaração. A fala da Konami ocupa o meio-termo: a ferramenta pode ajudar, mas não define o resultado. Vale lembrar que o recorte do Steam Next Fest é de um evento específico e que o aviso cobre usos diferentes, do código à arte, e não mede a qualidade ou a quantidade de IA em cada jogo.

O que isso significa para o jogador brasileiro

Para quem joga no Brasil, a declaração não muda nada de imediato: não há anúncio de jogo, preço ou data atrelado a ela. O impacto é de expectativa. Marcas como Silent Hill e Metal Gear dependem de direção de arte, som e roteiro com assinatura própria, e a Konami sinaliza que pretende manter esse núcleo nas mãos de pessoas.

Há também um recado prático para o consumidor. O Steam exibe a declaração de uso de IA generativa nas páginas dos jogos, e vale ler esse campo antes de comprar, principalmente se o assunto importa para você. Não encontramos dados específicos sobre a opinião de desenvolvedores ou jogadores brasileiros sobre o tema, então não os citamos aqui.

Também é cedo para tratar a frase como garantia. Declarações em relatório corporativo são uma posição de princípio. O que a Konami fará em cada projeto só ficará claro nos créditos e nos comunicados de lançamento.

Fechamento

A tese de Hayakawa é simples e defensável: ferramentas mudam, mas a decisão criativa continua humana. Se o mercado vai confirmar essa visão, os próximos anos dirão. Por enquanto, a Konami se junta ao grupo de grandes empresas que escolhem uma abordagem cautelosa, enquanto a pesquisa da GDC mostra que boa parte da indústria ainda não está convencida dos benefícios da IA generativa. O Portal do Gamer segue acompanhando como as publishers vão tratar o tema.

Fontes